Códigos da Riqueza 23Conhecimento aplicado
Investimentos2 min de leitura

Blockchain: o registro que ninguém controla sozinho

Como funciona um registro distribuído, o que ele resolve de fato e por que a maior parte dos problemas não precisa de blockchain.

Por Redação Códigos da Riqueza 23 ·

Blockchain é, na descrição mais simples possível, um livro de registros compartilhado por muitos participantes, no qual cada página nova referencia criptograficamente a anterior.

Como o encadeamento funciona

Cada bloco contém um conjunto de transações e o resumo criptográfico (hash) do bloco anterior. Alterar uma transação antiga muda o hash daquele bloco, o que invalida o encadeamento de todos os blocos seguintes.

Para reescrever o histórico seria preciso refazer todo o trabalho posterior mais rápido do que a rede inteira produz novos blocos. Em redes grandes, isso é caro o bastante para tornar a fraude economicamente irracional — que é diferente de tecnicamente impossível.

O problema que ela resolve

O ponto central não é armazenamento: bancos de dados comuns armazenam melhor e mais barato. O que a blockchain resolve é concordância entre partes que não confiam umas nas outras e não aceitam um árbitro central.

Essa é uma necessidade real, porém rara. Quando existe uma instituição confiável para manter o registro — e na maior parte dos casos existe —, um banco de dados tradicional é mais rápido, mais barato e mais simples de operar.

Custos que costumam ser omitidos

  • Desempenho. Redes públicas processam poucas transações por segundo comparadas a sistemas centralizados.
  • Custo por operação. Cada transação tem taxa, que varia com a demanda da rede.
  • Irreversibilidade. Excelente contra censura, péssima contra erro humano.
  • Consumo de recursos. Redes baseadas em prova de trabalho consomem energia de forma significativa por desenho — é esse custo que torna o ataque caro.

Público, privado, permissionado

Rede pública. Qualquer um participa e valida. Máxima resistência a censura, menor desempenho.

Rede permissionada. Participantes conhecidos e autorizados. Mais rápida, mas depende de confiança em quem concede a permissão — o que reduz boa parte da vantagem original.

Muitos projetos corporativos anunciados como blockchain são, na prática, bancos de dados compartilhados com controle de acesso. Não há nada errado nisso, exceto o nome.

Como avaliar uma proposta que usa blockchain

Três perguntas costumam bastar:

  1. Existem partes que precisam concordar sem confiar umas nas outras?
  2. A ausência de um árbitro central é um requisito, e não apenas uma preferência?
  3. A irreversibilidade é desejável neste caso?

Se alguma resposta for não, provavelmente um banco de dados resolve melhor.

Para ver o conceito aplicado, veja o guia sobre Bitcoin, a rede pública mais longeva em operação.

Compartilhar

Outros guias desta editoria